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Entregadores por aplicativo

Calor extremo, chuvas intensas, enchentes e outros eventos climáticos já interferem nas condições de trabalho de quem exerce atividades ao ar livre ou em deslocamento constante. Quando essa exposição se combina com pouca proteção social e trabalhista, os impactos sobre saúde, segurança e renda podem ser ainda maiores.

Os entregadores por aplicativo estão entre os trabalhadores diretamente expostos a essas condições. Em 2025, cerca de 376 mil pessoas exerciam atividades de entrega por meio de plataformas no Brasil, segundo o IBGE. Chuvas intensas, alagamentos e calor extremo podem dificultar a circulação, tornar o trânsito mais perigoso, aumentar o risco de acidentes e, em determinadas situações, impedir que a atividade continue com segurança. Para quem depende das entregas realizadas para compor a renda, interromper o trabalho também pode significar receber menos.

A proteção de quem trabalha por meio de plataformas já faz parte de uma discussão mais ampla. Em junho de 2026, a OIT adotou a Convenção nº 193, primeira norma internacional dedicada ao trabalho decente na economia de plataformas, abordando temas como saúde e segurança e proteção social. No Brasil, o debate sobre a regulamentação desse trabalho também continua em andamento.

A intensificação dos eventos climáticos acrescenta uma pressão concreta a esse cenário. Quando uma chuva forte, um alagamento ou um período de calor extremo interrompe a circulação, os efeitos atingem ao mesmo tempo a segurança, a saúde, a possibilidade de continuar trabalhando e a renda.

Esse contexto reforça a necessidade de aprofundar o debate sobre as condições de trabalho e a proteção social de quem trabalha por meio de plataformas, especialmente diante de eventos climáticos cada vez mais presentes no cotidiano das cidades.

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