A pauta sobre o fim da escala 6×1 fundamenta-se em indicadores de saúde ocupacional e produtividade. Atualmente, 79,7% dos brasileiros cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, um percentual que sobe para quase 89% em pequenas empresas.
Dados do Dieese indicam que o impacto da redução de jornada na indústria e no comércio é estimado em menos de 1%, provando que o ajuste econômico é viável quando priorizamos a qualidade de vida.
A experiência de outros países que reduziram a jornada de trabalho demonstra que houve diminuição dos acidentes, do absenteísmo e das doenças laborais, especialmente as mentais, o que contribui para um ambiente de trabalho melhor. Estudos contemporâneos de “Work-Life Balance” reforçam que o controle da fadiga crônica eleva a produtividade em até 20%. Na prática, a transição para modelos como a escala 5×2 ou 4×3 em setores que operam ininterruptamente ocorre por meio do sistema de revezamento.
O estabelecimento mantém sua disponibilidade operacional, enquanto a escala de folgas é planejada para garantir o descanso semanal sem sobrecarga funcional. No setor da saúde, onde a jornada 12×36 já é comum, propõe-se uma revisão dos protocolos de descanso para mitigar o risco de erros médicos e acidentes de trabalho.
Historicamente, todo avanço em direitos humanos enfrentou resistências sob o argumento de “colapso econômico”. Foi assim na abolição da escravatura, na criação do salário mínimo e na redução da jornada de 48h para 44h na Constituição de 1988. Em todas essas transições, o Brasil demonstrou total capacidade de adaptação.
Para o InPACTO, promover o trabalho decente exige o rompimento com modelos ultrapassados no setor produtivo e a construção de um equilíbrio sustentável entre desempenho econômico, saúde das pessoas trabalhadoras e qualidade de vida. Adaptar operações para respeitar esses limites não é um custo, mas um compromisso ético e estratégico.

