Dados mundiais: 300 milhões de pessoas trabalhadoras vivem com menos de US$ 2,15 dólares por dia
Segundo relatório recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desemprego global está em torno de 4,9%. Ainda assim, a informalidade pode chegar a 2,1 bilhões de pessoas até 2026 — e cerca de 300 milhões de trabalhadores seguem vivendo com menos de US$ 2,15 por dia, mesmo estando ocupados.
Lidos em conjunto, esses dados apontam para a mesma contradição: trabalho, por si só, não tem garantido dignidade. Sem direitos e proteção, a economia pode até parecer “resiliente”, mas sustenta milhões de pessoas em rotinas marcadas por insegurança, baixa renda e ausência de proteção social.
E esse peso não se distribui de forma igual. Mulheres continuam com participação menor no mercado de trabalho do que homens, e jovens enfrentam desocupação por volta de 12,4%. Quando a promessa é “crescimento”, mas a realidade é precarização, a desigualdade deixa de ser exceção e vira regra.
Diante desses números, o debate não é só sobre “criar vagas”, mas sobre quais regras vão organizar o mercado de trabalho daqui pra frente. Quando propostas de “flexibilização” significam, na prática, menos proteção e menos direitos, o resultado costuma ser mais instabilidade para quem vive do trabalho. Isso vai na contramão do que a OIT chama de trabalho decente: renda justa, segurança, proteção social, igualdade e respeito a direitos. Sem esse chão, “modernização” vira só outro nome para precarização.
No InPACTO, atuamos para colocar o trabalho decente no centro do debate sobre desenvolvimento econômico, traduzindo dados, fortalecendo redes e incidindo por políticas que ampliem direitos, não que os enfraqueçam.