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31 de março de 2026

Um passo historico: ONU aprova resolução que reconhece o tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade

Na última semana, no marco do Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do comércio transatlântico de pessoas africanas escravizadas — um momento de memória e reconhecimento —, a comunidade internacional avançou ao consolidar o entendimento sobre a gravidade desse sistema.

Em 25 de março de 2026, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que reconhece o tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas como o mais grave crime contra a humanidade. A medida, impulsionada por países africanos, representa um passo importante na consolidação de uma agenda global que dá centralidade a esse tema.

O tráfico transatlântico, que deslocou à força cerca de 12,5 milhões de pessoas africanas escravizadas, foi um sistema de exploração singular, marcado por sua escala global, longa duração e estruturação com base na raça, com impactos que seguem presentes até hoje. Esse reconhecimento reforça que não se trata apenas de um evento do passado, mas de um processo histórico cujas consequências continuam moldando desigualdades.

Mais do que simbólico, esse avanço fortalece o debate sobre reparações históricas. Trata-se de agir no presente para transformar desigualdades estruturais ainda persistentes.
No Brasil, país que recebeu o maior contingente de pessoas africanas escravizadas, esse debate é urgente. A persistência do trabalho análogo à escravidão evidencia como essas heranças permanecem ativas. Dados indicam que cerca de 80% das pessoas resgatadas nessas condições se autodeclaram negras.

Enfrentar essa realidade vai além da repressão. É fundamental atuar sobre suas causas estruturais. Nesse sentido, o setor produtivo tem papel decisivo ao promover trabalho digno e contribuir para o enfrentamento do racismo estrutural nas cadeias produtivas.

Honrar a memória das vítimas é, sobretudo, um compromisso com o presente — um chamado à ação para transformar realidades e impedir que violações dessa natureza se perpetuem.

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