A cobrança para produzir como se não tivesse filhos e maternar como se não trabalhasse
Para muitas mulheres, a maternidade ainda reflete diretamente na estagnação ou interrupção de trajetórias no mercado de trabalho.
Este é o primeiro tema do nosso especial de Dia das Mães: um convite à reflexão sobre como o mundo do trabalho ainda trata a maternidade como um problema para a empregabilidade feminina. Existe uma pressão constante que vem de todos os lados. A do mercado, para que se “trabalhe como se não tivesse filhos”, e a da sociedade, para que se “seja mãe como se não trabalhasse”.
Enquanto a paternidade raramente é vista como um impeditivo para a carreira masculina, a trajetória feminina é penalizada por uma estrutura que impõe à mulher a escolha impossível entre carreira e cuidado. Essa vulnerabilidade atinge seu ponto mais crítico para as cerca de 11 milhões de mães solo no Brasil, que enfrentam sozinhas o desafio de conciliar a subsistência da família com a responsabilidade integral pelos filhos.
Para o InPACTO, promover o trabalho decente passa pelo compromisso das organizações em converter o discurso comemorativo em políticas reais de inclusão e permanência. Viabilizar a coexistência digna entre a vida familiar e o crescimento profissional não deve ser um peso apenas da mulher, mas uma responsabilidade coletiva.