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14 de agosto de 2014

Daewoo admite uso de algodão colhido com trabalho escravo

A trading sul-coreana Daewoo International admitiu usar algodão produzido com mão de obra infantil e escrava em lavouras controladas pelo Estado no Uzbequistão, na Ásia, e está sendo pressionada para que retire seus investimentos do país e com isso ajude a persuadir o governo a acabar com a prática. De acordo com o The Wall Street Journal, a Daewoo informou ter pedido que o governo acabasse com uso de mão de obra forçada, mas afirmou não ter planos de parar de usar o algodão.
A Daewoo possui uma das maiores fábricas de processamento de algodão no Uzbequistão. Diante da negativa da empresa de parar de usar o produto na sua cadeia produtiva, ativistas se voltaram para algumas marcas ocidentais que já se comprometeram a boicotar os produtos que tenham algodão com origem usbeque.
Um porta-voz da empresa declarou que a Daewoo não usa trabalho forçado ou infantil em suas operações baseadas no Uzbequistão, entretanto, está ciente do uso da prática durante as colheitas. Ele confirmou que a empresa adquiriu algodão colhido por esses trabalhadores.
No mês passado, o governo do Uzbequistão reconheceu pela primeira vez que crianças haviam sido recrutadas para colheitas passadas, mas negou que o trabalho tenha sido coagido. O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos afirma que o Uzbequistão está entre os usuários das piores práticas de trabalho infantil e, que em 2012, dez crianças foram enviadas para a colheita de algodão sem uma alimentação regular suficiente e água potável ou saneamento nas instalações.
Segundo dados da Walk Free, movimento que luta contra o trabalho escravo moderno, na última safra de algodão do Uzbequistão, onze pessoas submetidas a trabalho forçado morreram. Entre as mortes, um agricultor de 63 anos que sofreu um ataque cardíaco depois de ser espancado por um funcionário do Departamento de Assuntos Internos, e uma criança de seis anos de idade, que acompanhava a sua mãe no campo, que morreu sufocada por uma carga de algodão enquanto dormia em um trailer.
A Walk Free criou uma petição pedindo que a Daewoo interrompa as suas operações no Uzbequistão até que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) verifique que esta prática tenha acabado e comprometa-se publicamente a se opor ao sistema de trabalho forçado do governo usbeque.
Informações: The Wall Street Journal, Walk Free e G1.
Imagem: Flavia Mariani (Creative Commons)

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