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26 de agosto de 2026

O que as desigualdades têm a ver com trabalho escravo?

O Brasil registrou avanços recentes em diferentes indicadores sociais, mas as desigualdades raciais permanecem em grande parte deles.
 
O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 mostra que, entre os indicadores que puderam ser atualizados nesta edição, 71% apresentaram melhora em relação ao período anterior. Como as fontes utilizadas têm periodicidades diferentes, o intervalo de comparação varia de acordo com cada indicador.
 
Os recortes por raça mostram diferenças importantes. Em 2025, a taxa de analfabetismo entre pessoas negras era de 6,5%, mais que o dobro dos 2,8% registrados entre pessoas não negras. Em 2024, 9,9% da população negra vivia em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave, ante 4,6% da população não negra. E, das 16,8 milhões de pessoas que viviam, em 2025, com renda domiciliar per capita de até ¼ do salário mínimo, 12,3 milhões eram negras.
 
O que esses dados têm a ver com o enfrentamento ao trabalho escravo?
 
Eles mostram que pobreza, baixa escolaridade, insegurança alimentar e acesso desigual a direitos e oportunidades não atingem todos os grupos da mesma forma. Essas condições compõem contextos de maior vulnerabilidade social e econômica, que precisam ser considerados nas estratégias de prevenção ao trabalho escravo.
Por isso, o enfrentamento ao trabalho escravo não se restringe à identificação das violações e à responsabilização de quem as pratica. A prevenção também envolve ampliar o acesso a direitos, educação, proteção social, renda e oportunidades de trabalho decente.
 
Enfrentar as desigualdades que tornam determinados grupos mais vulneráveis é, portanto, parte dessa agenda de prevenção.
 
Fonte: Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026.

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