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29 de abril de 2016

Campanha Cem Dias Sem Direitos denuncia violações ligadas à Rio 2016

A 100 dias do início da Olimpíada Rio 2016, o Comitê Popular da Copa e Olimpíada do Rio lançou na última quarta-feira (27) a campanha “Contagem Regressiva para os Jogos da Exclusão – Cem Dias Sem Direitos”, que vai lembrar, a cada dia, uma violação de direitos que venham a ser cometidas por causa da Olimpíada do Rio de Janeiro, como remoções, trabalho escravo, destruição de espaços públicos, superfaturamentos ou quedas de obras e mortes.
A integrante do comitê Larissa Lacerda destacou que, para lembrar todas as violações cometidas até o momento, seria necessário bem mais de 100 dias, mas o intuito da campanha é evitar que mais pessoas sofram com abusos cometidos em nome dos Jogos até agosto.
“O esforço é de denunciar e barrar violações que possam ser conduzidas até lá durante todo esse processo para que mais gente não continue a ser excluída e violada”, comentou. Larissa ressaltou que a divulgação das injustiças cometidas é muitas vezes abafada pelo marketingpositivo do legado olímpico reproduzido pelas autoridades e a grande mídia.
“O Poder Público tem uma coalizão de forças políticas e econômicas forte: são os poderes municipal, estadual e federal, donos de terras da Barra da Tijuca, principal beneficiária com as obras dos Jogos Olímpicos, grandes construtoras e uma imprensa totalmente a serviço dessa coalizão de forças”.
A violação escolhida para iniciar a contagem dos Cem Dias Sem Direitos será anunciada na Cinelândia e também estará disponível no Facebook. Como parte da campanha, foi montada na Cinelândia, centro do Rio, a exposição Revelações Olímpicas. As fotos expostas são de fotógrafos profissionais, moradores de áreas afetadas pelos megaeventos e militantes.
Está previsto um debate com a participação do professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) Carlos Vainer; da moradora da Vila Autódromo, na zona oeste, Sandra Maria; dos fotógrafos Bárbara Copque, Luiz Baltar, Francisco Chaves e André Mantelli; da moradora do Horto, na zona sul do Rio; Laura Paiva, e da moradora da comunidade da Maré, na zona norte, Gizele Martins.
Para Gizele, que é jornalista e integrante do Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro, um dos legados mais críticos dos chamados megaeventos é o projeto de militarização das favelas, que já provocou milhares de mortes e violações de direitos de cidadãos pobres da periferia.
“A militarização acabou influenciando a vida das pessoas em todas as camadas e idades. É um projeto presente principalmente em favelas da zona sul e favelas estratégicas, como a Maré, que está próxima ao aeroporto internacional e das vias expressas. É um projeto para dar segurança a quem está vindo de fora”, disse, que testemunha no seu cotidiano abusos de poder, humilhações e outras violências cometidas contra moradores de favelas por parte de agentes do Estado.
Prefeitura
A prefeitura do Rio assegura que o município busca implementar obras mexendo o mínimo possível na rotina dos cariocas e que a administração municipal não utiliza o instrumento da remoção, quando as famílias são retiradas à revelia do imóvel e não são dadas condições de transição para elas. A prefeitura informa que as famílias que tiveram de deixar suas casas “estavam no traçado de obras ou em áreas de proteção ambiental”. Como opção, o município pagou indenizações e ofereceu apartamentos do Minha Casa, Minha Vida. “A negociação sempre foi transparente”, afirma o governo municipal.
Até o fechamento desta reportagem, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora não havia se pronunciado a respeito das denúncias feitas sobre abusos cometidos e mortes nas favelas onde há Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).
Fonte: Agência EBC
Imagem: Wikipedia Commons
 

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